A Frente Parlamentar de Combate ao Racismo da Assembleia Legislativa debateu, nesta segunda, os desafios para incluir profissionais negros no mercado corporativo. Coordenador do grupo, o deputado Doriel Barros, do PT, apresentou dados da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, a PNAD, do IBGE. Em Pernambuco, por exemplo, o salário médio de uma pessoa negra é de 1.600 reais enquanto trabalhadores brancos recebem, em média, 2.200 reais por mês. A taxa de desocupação entre os negros no Nordeste ultrapassa 14% e é a maior entre as regiões do país. Para o deputado, é importante pensar políticas públicas de fortalecimento da igualdade racial dentro do mercado de trabalho.
“A gente precisa que a Assembleia Legislativa seja um instrumento de debate para que a gente possa se conectar com o projeto nacional no sentido de garantir oportunidades e ao mesmo tempo a valorização dessas pessoas que muitas vezes são excluídas.”
Historiadora e presidente da Associação Pacto de Promoção da Equidade Racial, Vânia Santana frisou a necessidade de se criar estratégias coletivas para reduzir a desigualdade. Ela também defendeu o fortalecimento de políticas afirmativas e das cotas raciais.
“Não existe nada mais revolucionário, em termos de educação universitária no brasil, que não seja ter pessoas negras, das camadas populares, pessoas com deficiência e LGBTQIAPN+ na universidade”.
O presidente da Comissão de Igualdade Racial da OAB Pernambuco Fábio Fonseca falou das dificuldades enfrentadas por pessoas negras para acessar a educação e, uma vez formadas, ingressar no mercado de trabalho. Para ele, quem já está trabalhando deve ajudar a criar mais oportunidades para profissionais negros.
“Estamos aqui para construir uma sociedade mais justa, equitativa e que as oportunidades sejam propagadas em todos os espaços. nós temos uma obrigação de oportunizar para um de nós.”
As ações realizadas pela Associação Pacto de Promoção da Equidade Racial também foram apresentadas durante o encontro. A organização busca integrar a questão racial nas práticas de governança corporativa e investimento social privado. Isabel Fillardis, atriz e embaixadora da entidade, destacou a importância da parceria entre poder público, privado e sociedade civil. Para ela, é preciso começar o debate dentro das escolas, com a oferta de disciplinas antirracistas e programas de aperfeiçoamento para professores.
“São muitas as frentes que precisamos atuar. Cada um pega que melhor lhe cabe, que melhor lhe convém que mexe com você, que acredita que ali está a sua essência de transformação para se movimentar e por isso que estamos aqui hoje, nos movendo”.
Ainda durante a audiência, a frente parlamentar e a Associação Pacto de Promoção da Equidade Racial assinaram um termo de cooperação técnica. A partir dos debates desta segunda, Doriel Barros propôs uma reunião com a Secretaria de Educação do Estado, para discutir a inclusão de pautas de igualdade racial nas unidades da rede de ensino. Ele também sugeriu uma agenda com a Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco com o objetivo de estudar parcerias com empresas privadas.
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